O Papa Francisco, todos os anos nos convida a uma reflexão pela passagem do dia do Migrante e do Refugiado que se celebra sempre no terceiro domingo de Janeiro. Neste ano, celebraremos no domingo, dia 17.E como estamos no ano do Jubileu da Misericórdia, o Papa nos apela a celebrar neste dia, o Jubileu do Migrante sob o tema “Os emigrantes e refugiados interpelam-nos. A resposta do Evangelho da misericórdia.”

Na primeira parte, a mensagem do Papa quer tornar presente a dramática situação de tantos homens e mulheres, obrigados a abandonar as próprias terras, e que muitas vezes morrem em tragédias no mar. Ele escolheu este tema diante do risco evidente de que este fenômeno seja esquecido.

Ele nos diz: “Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo”.

Com a segunda parte do tema – “A resposta do Evangelho da misericórdia” –Francisco deseja relacionar de modo explícito o fenômeno da migração com a resposta dada pelo mundo e, em particular, pela Igreja. Neste contexto, o Santo Padre convida o povo cristão a refletir durante o Jubileu sobre obras de misericórdia corporal e espiritual, entre as quais se encontra aquela de acolher os estrangeiros. Sendo discípula de Jesus, a Igreja é sempre chamada a “anunciar a liberdade aos prisioneiros das novas escravidões da sociedade moderna”, ao mesmo tempo que deverá aprofundar a relação entre justiça e misericórdia, duas dimensões de uma única realidade.

Em linha com o desejo do Santo Padre de que cada Igreja particular seja “diretamente envolvida a viver este Ano Santo”, o Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes oferece algumas indicações, como a celebração do Jubileu em nível diocesano e nacional, no âmbito mais próximo possível aos migrantes e refugiados, com suas participações, e envolvendo também a comunidade cristã; que o evento jubilar central seja o próximo 17 de janeiro de 2016, na recorrência do Dia Mundial do Migrante e do refugiado; que as dioceses e comunidades cristãs que ainda não o fazem, programem iniciativas, aproveitando a ocasião oferecida pelo Ano da Misericórdia; o encorajamento à sensibilização nas comunidades cristãs do fenômeno migratório; que a atenção aos migrantes e à situação por eles vivida não se restrinja a um único dia; a importância de realizar sinais concretos de solidariedade, que expressem proximidade e atenção aos migrantes e refugiados.

A Comissão Episcopal da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes de Angola e São Tomé – CEPAMI, respondendo aos apelos do Pontifício Conselho e do Papa Francisco, organizou diversas atividades para celebrar este Jubileu do Migrante: Workshop sobre leis migratórias em Angola, Catequeses pela rádio no âmbito da Teologia Bíblica, social e pastoral das Migrações; celebração televisiva, celebração, almoço e tarde cultural na região do Zango onde é formada em sua quase totalidade por migrantes internos, repatriados, refugiados e migrantes internacionais.  Motivou também as dioceses para que realizam atividades celebrativas para marcar este Jubileu do Migrante e Refugiado.

Por fim, finalizamos com as palavras do Papa Francisco que afirma que “os migrantes e refugiados interpelam a Igreja e a comunidade humana, para que também eles possam ver, na mão estendida de quem os acolhe, o rosto do Senhor, «o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação» (2 Cor 1, 3). E continua: “Muitas instituições, associações, movimentos, grupos comprometidos, organismos diocesanos, nacionais e internacionais experimentam o encanto e a alegria da festa do encontro, do intercâmbio e da solidariedade. Eles reconheceram a voz de Jesus Cristo: «Olha que Eu estou à porta e bato» (Ap 3, 20). E todavia não cessam de multiplicar-se também os debates sobre as condições e os limites que se devem pôr à recepção, não só nas políticas dos Estados, mas também nalgumas comunidades paroquiais que vêem ameaçada a tranquilidade tradicional.

Diante de tais questões, como pode a Igreja agir senão inspirando-se no exemplo e nas palavras de Jesus Cristo? A resposta do Evangelho é a misericórdia.”

 

 

Ir. Neide Lamperti, mscs

Secretária Executiva da CEPAMI

Luanda, 14/01/16

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